Repercussões psicossociais materna relacionadas a internação prolongada em UTI neonatal
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A Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal (UTIN) é uma unidade especial que se encontra inserida no serviço de neonatologia. A internação de um filho, na maioria das vezes, traz como resultado diversos problemas psicossociais para uma família e principalmente para a mãe que geralmente deixa de lado suas atividades cotidianas (abandona casa, marido, trabalho e até mesmo outros filhos) para cuidar do seu bebê na UTIN. Este trabalho trata-se de uma pesquisa qualitativa que teve como objetivo desenvolver o saber coletivo dos alunos do 6º período a partir do inter-relacionamento das disciplinas do curso de Enfermagem/Unincor e, compreender como foi vivenciada a separação da mãe e filho no estudo de caso abordado. Foi sujeito da pesquisa, mãe de gêmeos cujos bebês nasceram prematuramente em função de uma pré-eclâmpsia e estavam hospitalizados na UTIN de um hospital de Betim/MG, sendo utilizado como instrumento questionário semi-estruturado. Verificou-se a importância de um apoio multiprofissional psicológico com a mãe, para que esta possa se reestruturar emocionalmente e participar ativamente dos cuidados com seus bebês.
Palavras-chave: UTI Neonatal; Relação mãe e bebê; Relações familiares.
*Estudo resultante do projeto de trabalho interdisciplinar desenvolvido pelos acadêmicos do 6 período de enfermagem da Unincor-Betim, no Hospital/Betim, Minas Gerais, 2008.
1 - Introdução
Buscando a compreensão das representações psicossociais vivenciada pela mulher e mãe durante a internação prolongada dos seus filhos em UTIN, os referenciais teóricos apontam que a pressão social para a maternidade, embora às vezes imperceptível, se pauta em vários argumentos ancorados principalmente na condição biológica da mulher, gerando premissas como: é natural a mulher ser mãe, assim como é natural a mãe amar seu filho incondicionalmente.
Os argumentos religiosos, por sua vez, reforçaram o ideal de amor materno incondicional, ao caracterizar o exercício da maternidade como um ato santificado. Entretanto, o que acontece quando a mãe dá à luz a uma criança prematura? Quais os sentimentos de muitas delas ao deparem com uma gravidez de alto-risco, com um bebê estranho e diferente do sonhado? Tendo em vista estas indagações procurou-se investigar as experiências maternas no contexto de uma UTIN, a partir das representações sociais da maternidade, tendo como referência a compreensão da maternidade como fenômeno psicossocial.
Observando o comportamento materno no cotidiano de trabalho de uma UTIN percebe-se que as mães reagem de maneiras diversas ao internamento de seu filho. Algumas conversam com os bebês, outras tocam em seus filhos, algumas ficam só olhando, não abrem à incubadora, algumas até ajudam em cuidados básicos e outras se afastam do bebê. As mães podem até mesmo se sentir culpadas pela situação em que se encontra seu filho. Sentem medo de uma possível perda e ficam angustiadas porque imaginam que não podem fazer nada pelo seu bebê (SOUZA CARVALHO, 2006),
Essas mães podem ainda experimentar a sensação de confusão e abandono, podendo comporta-se de modo irracional, chorar sem controle ou, ate mesmo, tentar fugir. Geralmente tem dificuldade em absorver informações ou tomar decisões. Algumas mães descrevem sensações como se "estivessem ficando loucas" durante esse período.
No ambiente de uma UTIN a família em especial a mãe fica sob o domínio de uma estrutura hospitalar, uma condição de dependência de profissionais cujas atitudes podem ferir a autonomia e a tomada de decisões. Vivenciar a maternidade tendo-se o bebê em unidade de terapia intensiva traz para essas mulheres necessidades e sentimentos permeados de insegurança e expectativa que precisam ser compartilhados com outras pessoas do mesmo grupo e com os profissionais. Dessa maneira, a equipe de saúde, especialmente a Enfermagem, a Medicina, a Terapia Ocupacional, a Psicologia e outros ramos científicos cujos profissionais acompanham diretamente a criança e sua família, devem encontrar opções capazes de facilitar a aceitação das perdas resultantes desse momento vivido, possibilitando uma atenção adequada a esta mãe.
Após a mãe se distanciar deste maior impacto, que é a internação inesperada do seu bebê na UTIN ela se depara com outras questões significativas - a equipe médica, em geral rápida, determinada; a equipe de enfermagem atenta, próxima e capacitada a executar o que lhes foi solicitado com urgência e precisão; e os outros profissionais da equipe multidisciplinar empenhados em fazer o possível para atender às necessidades do bebê, e ao lado de tudo isto, esta mãe que perde o seu referencial do que realmente seria a maternidade, assiste inerte a procedimentos e acontecimentos ao qual não faz parte de seu mundo real e também imaginário no que se diz respeito a "ser mãe" .
A mãe ao deparar com a situação inusitada da internação do recém-nascido, contrapondo a expectativa na qual esperava um bebê sem intercorrências clínicas que pudesse ir para casa com ela e esse fato acarreta várias conseqüências no âmbito familiar. A internação de um filho, na maioria das vezes, traz como resultado diversos problemas psicossociais para uma família e principalmente para a mãe que geralmente deixa de lado suas atividades cotidianas (abandona casa, marido, trabalho e até mesmo outros filhos) para cuidar do seu bebê na UTIN.
A hospitalização do filho pode ser considerada uma ameaça à integridade corporal e emocional da mãe acompanhante, podendo irromper a sustentação simbólica do bebê imaginário, fragmentar a relação mãe-filho construída ao longo da gestação, negar o exercício da maternidade, em alguns casos, por ocorrer o desejo inconsciente da morte do bebê, esta mãe é lançada repentinamente num outro mundo, em um mundo ameaçador, distante de seu cotidiano, o mundo das instituições, repleto de normas e rotinas.
Para tentar minimizar o sofrimento da mãe, faz-se necessário a implantação de estratégias capazes de inseri-la no cuidado ao Recém-nascido pré-termo ou de crianças que necessitam de cuidados intensivos garantindo uma assistência integral e humanizada desenvolvida por uma equipe multidisciplinar e capacitada para acolhê-los.
2 - Objetivo
2.1 - Objetivo Geral:
Aprimorar o saber coletivo dos alunos do 6º período a partir do inter-relacionamento das disciplinas do curso de Enfermagem/Unincor.
Esclarecer e compreender como foi vivenciada a separação da mãe e filhos durante a internação.
2.1 - Objetivos Específicos:
Identificar os principais problemas maternos da mulher/mãe adolescente relacionados a internações prolongadas do recém-nascido e perceber os medos, ansiedades e receios da mãe.
Realizar revisão literária sobre os meios de enfrentamento da separação mãe e filho;
3 - Metodologia
A abordagem desenvolvida foi estudo qualitativo, observatório e descritivo; onde desenvolveu-se a interdisciplinaridade das disciplinas Enfermagem Neonatal, Epidemiologia e Psicologia, cujo embasamento teórico foi apartir de livros da biblioteca da Universidade Vale do Rio Verde e Artigos Científicos.
Foi entrevistada mãe de gêmeos, cujos bebês se encontravam hospitalizados na UTIN de um hospital de Betim/MG, sendo utilizado instrumento de coleta de dados semi-estruturado elaborado pelos alunos Unincor/Betim tomando como base questionário já submetido a avaliação da equipe do Hospital Universitário do Rio de Janeiro. Foi assinado pela entrevistada, termo de consentimento livre e esclarecido.
4 - Desenvolvimento
4.1 - Assistência pré-natal
A assistência pré-natal, segundo Schwarcz (1996), é a série de contatos, entrevistas ou visitas programadas da gestante com integrantes da equipe de saúde, para o acompanhamento da evolução da gravidez e conseguir uma preparação adequada para o parto e para o cuidado com a criança.
De acordo com Schwarcz (1996), o objetivo do pré-natal consiste em: detectar doenças maternas subclínicas; prevenir, diagnosticar precocemente e tratar as complicações da gravidez; acompanhar o crescimento e a vitalidade fetal; preparar a mãe psico-físicamente para o nascimento; pesquisar possível incompatibilidade sanguínea materno-fetal-neonatal; detectar e prevenir precocemente a anemia materna; prevenir as conseqüências maternas e perinatais das principais DSTs; descartar a presença de Diabetes mellitus clínica e gestacional; descartar a presença de proteinúria, glicosúria e corpos cetônicos na urina, identificar e tratar as infecções do trato urinário e prevenir o tétano neonatal e puerperal.
As consultas e exames realizados no pré-natal permitem identificar e reduzir muitos problemas de saúde que costumam atingir a mãe e o bebê, como hipertensão, anemia, infecção urinária, doenças transmissíveis pelo sangue da mãe para o filho como o caso da AIDS e a sífilis. O ideal é que as gestantes iniciem o pré-natal no primeiro trimestre, evitando problemas que podem levar ao parto precoce, ao aborto e a doenças sérias que tragam conseqüências irreversíveis para a mãe e seu bebê.
O pré-natal pode ser normal (risco habitual), onde não há condições que ameacem a saúde materna e fetal e pode ser de alto risco, que conforme Branden (2000) apresenta fatores que ameacem a saúde da mãe e do feto ou distúrbios que interferem no desenvolvimento fetal normal, o nascimento do bebê ou a transição para a maternidade.
Para o pré-natal de risco habitual, de acordo com a SES-MG (2006), preconizam-se no mínimo seis consultas, sendo, uma consulta no primeiro trimestre, duas consultas no segundo e três consultas no terceiro trimestre. Recomenda-se que o intervalo entre as consultas seja de quatro semanas até a gestação completar 36 semanas, e a partir deste período, que os intervalos sejam de quinze dias.
O roteiro para a primeira consulta inclui: história clínica; gestação atual; antecedentes; antecedentes ginecológicos; história pregressa pessoal; antecedentes familiares; exame físico geral; exame ginecológico; exames laboratoriais. E para consultas subseqüentes, há: revisão da ficha perinatal e anamnese atual; cálculo e anotação da idade gestacional; controle do calendário de vacinação; exame físico geral e gineco-obstétrico; interpretação de exames laboratoriais e solicitação de outros se necessários; solicitar glicemia de jejum, VDRL e urina rotina na 30ª semana; acompanhamento das condutas adotadas em serviços clínicos especializados; realização de ações e práticas educativas individuais e em grupos; registro dos dados da consulta no Cartão da Gestante e no prontuário; todas as consultas deverão ser registradas na Ficha de Atendimento Diário do SISPRENATAL; agendamento de consultas subseqüentes.
Em todas as consultas do pré-natal, segundo a SES-MG (2006), a gestante deve ser avaliada quanto a situações de risco e a presença de alguns destes fatores indica uma gestação de alto risco. As consultas devem ser mais freqüentes, sendo o intervalo definido de acordo com o fator de risco identificado e a condição da gestante no momento. O profissional deve estar atento a todos os cuidados da anamnese, exame físico e exame gineco-obstétrico. A gestante deve ser continuamente orientada quanto ao andamento da sua gravidez.
De acordo com a SES-MG (2006), ela pode ser acompanhada pela equipe do PSF, mantendo-se uma vigilância maior, quando apresentar os seguintes fatores de risco gestacional: idade menor de 17 e maior de 35 anos; ocupação (esforço físico, carga horária, rotatividade de horário, exposição a agentes físicos, químicos e biológicos nocivos, estresse); situação conjugal insegura; baixa escolaridade; condições ambientais desfavoráveis; altura menor que 1,45 m; peso menor que 45 kg ou maior que 75 kg; recém-nascido com crescimento retardado, pré-termo ou mal formado, em gestação anterior; intervalo interpartal menor que dois anos; nuliparidade e multiparidade; síndrome hemorrágica ou hipertensiva, em gestação anterior; cirurgia uterina anterior e ganho ponderal inadequado.
A gestante deve ser encaminhada para o serviço de referência, segundo a SES-MG (2006), na presença de um segundo grupo de fatores de risco: dependência de drogas lícitas e ilícitas; morte perinatal anterior; abortamento habitual; esterilidade / infertilidade; desvio quanto ao crescimento uterino, número de fetos e volume de líquido amniótico; trabalho de parto prematuro e gravidez prolongada; pré-eclâmpsia e eclâmpsia; diabetes gestacional; amniorrexe prematura; hemorragias da gestação; isoimunização; óbito fetal; hipertensão arterial; cardiopatias; pneumopatias; nefropatias; endocrinopatias; hemopatias; epilepsia; doenças infecciosas; doenças auto-imunes e ginecopatias.
Os exames fetais para pacientes em pré-natal de alto risco de acordo com Branden (2000), incluem: exames não invasivos (ultra - sonografia; contagem dos movimentos fetais; perfil biofísico; teste sem estresse; teste do estresse da contração por estimulação dos mamilos; estimulação acústica fetal) e exames invasivos (amostragem do vilo coriônico; teste da alfa-fetoprotéina; amniocentese; amostragem percutânea do sangue do cordão umbilical; teste da contração com ocitocina).
A realização do pré-natal, seja ele de risco habitual ou de alto risco, é de suma importância para a detecção de alterações na saúde materna (física, emocional e socioeconômica), que poderão acarretar variações na idade gestacional (prematuridade ou pós-maturidade) e no peso ao nascer (pequeno ou grande para a idade gestacional), predispondo o neonato a vários problemas, levando-o a terapia intensiva.
A prematuridade e suas seqüelas segundo Kenner (2001), é um dos problemas mais comuns que se observa nas UTIN. Essa questão pode ser reduzida pela realização de um pré-natal bem feito desde o inicio da gestação, tendo uma atenção redobrada por parte do profissional de saúde que o realizará, das condições maternas que propiciam ao problema.
4.2 - Mãe Prematura
A adolescência é a fase em que se formam padrões de comportamentos e desenvolve-se atitudes em função de diversas situações sociais, econômicas ou mesmo ambientais, que determinam a saúde presente e futura (Magalhães,1997).
A Pesquisa Nacional em Demografia e Saúde, de 1996, mostrou um dado alarmante; 14% das adolescentes já tinham pelo menos um filho e as jovens mais pobres apresentavam fecundidade dez vezes maior. Entre as garotas grávidas atendidas pelo SUS no período de 1993 a 1998, houve aumento de 31% dos casos de meninas grávidas entre 10 e 14 anos. Nesses cinco anos, 50 mil adolescentes foram parar nos hospitais públicos devido a complicações de abortos clandestinos. Quase três mil na faixa dos 10 a 14 anos.
A gravidez na adolescência é, portanto, um problema que deve ser levado muito a sério e não deve ser subestimado. Segundo os dados do IBGE, desde 1980 o número de adolescentes entre 15 e 19 anos grávidas aumentou 15%. Só para ter idéia do que isso significa, são cerca de 700 mil meninas tornando-se mães a cada ano no Brasil.
A incidência de recém nascidos de mães adolescentes com baixo peso é duas vezes maior que em recém nascidos de mães adultas, e a taxa de morte neonatal é 3 vezes maior. Entre adolescentes com 17 anos ou menos, 14% dos nascidos são prematuros, enquanto entre as mulheres de 25 a 29 anos é de 6%.A mãe adolescente também apresenta com maior freqüência sintomas depressivos no pós-parto.
No Brasil, o parto é a primeira causa de internação de adolescentes no sistema público de saúde, já que o processo do parto pode ser dificultado por problemas anatômicos e comuns da adolescente, tais como o tamanho e conformidade da pelve, a elasticidade dos músculos uterinos, os temores, desinformação e fantasias da mãe ex-criança, além dos importantíssimos elementos psicológicos e afetivos possivelmente presentes.
Em uma gestante adolescente podem ocorrer complicações tanto para ela como para o bebê, pois segundo Gama et al, 2001, a porcentagem de nascimentos de recém nascidos de baixo peso é muito maior quando a mãe é adolescente. A suplementação da dieta durante a gravidez pode tomar a forma adicional, proteína, vitaminas ou minerais que excedem sua ingestão diária. O ganho de peso recomendado durante a gravidez pode ser levemente maior para a adolescente do que para adulta, porque seu próprio corpo ainda está em processo de formação.
Ao engravidar, a jovem tem de enfrentar, paralelamente, tanto os processos de transformação da adolescência como os da gestação, representando uma sobrecarga de esforços físicos e psicológicos muito grande.
As complicações psicossociais relacionadas à gravidez na adolescência são, em geral, mais importantes que as complicações físicas. Fatos que devem ser levado em consideração, inclusive pela equipe que faz o pré-natal seriam, por exemplo, o abandono do lar dos pais, o abandono pelo pai da criança, a opressão e discriminação social, a interrupção dos estudos e suas conseqüências futuras, tais como os empregos menos remunerados, a dependência financeira dos pais por mais tempo.
Palavras-chave: UTI Neonatal; Relação mãe e bebê; Relações familiares.
*Estudo resultante do projeto de trabalho interdisciplinar desenvolvido pelos acadêmicos do 6 período de enfermagem da Unincor-Betim, no Hospital/Betim, Minas Gerais, 2008.
1 - Introdução
Buscando a compreensão das representações psicossociais vivenciada pela mulher e mãe durante a internação prolongada dos seus filhos em UTIN, os referenciais teóricos apontam que a pressão social para a maternidade, embora às vezes imperceptível, se pauta em vários argumentos ancorados principalmente na condição biológica da mulher, gerando premissas como: é natural a mulher ser mãe, assim como é natural a mãe amar seu filho incondicionalmente.
Os argumentos religiosos, por sua vez, reforçaram o ideal de amor materno incondicional, ao caracterizar o exercício da maternidade como um ato santificado. Entretanto, o que acontece quando a mãe dá à luz a uma criança prematura? Quais os sentimentos de muitas delas ao deparem com uma gravidez de alto-risco, com um bebê estranho e diferente do sonhado? Tendo em vista estas indagações procurou-se investigar as experiências maternas no contexto de uma UTIN, a partir das representações sociais da maternidade, tendo como referência a compreensão da maternidade como fenômeno psicossocial.
Observando o comportamento materno no cotidiano de trabalho de uma UTIN percebe-se que as mães reagem de maneiras diversas ao internamento de seu filho. Algumas conversam com os bebês, outras tocam em seus filhos, algumas ficam só olhando, não abrem à incubadora, algumas até ajudam em cuidados básicos e outras se afastam do bebê. As mães podem até mesmo se sentir culpadas pela situação em que se encontra seu filho. Sentem medo de uma possível perda e ficam angustiadas porque imaginam que não podem fazer nada pelo seu bebê (SOUZA CARVALHO, 2006),
Essas mães podem ainda experimentar a sensação de confusão e abandono, podendo comporta-se de modo irracional, chorar sem controle ou, ate mesmo, tentar fugir. Geralmente tem dificuldade em absorver informações ou tomar decisões. Algumas mães descrevem sensações como se "estivessem ficando loucas" durante esse período.
No ambiente de uma UTIN a família em especial a mãe fica sob o domínio de uma estrutura hospitalar, uma condição de dependência de profissionais cujas atitudes podem ferir a autonomia e a tomada de decisões. Vivenciar a maternidade tendo-se o bebê em unidade de terapia intensiva traz para essas mulheres necessidades e sentimentos permeados de insegurança e expectativa que precisam ser compartilhados com outras pessoas do mesmo grupo e com os profissionais. Dessa maneira, a equipe de saúde, especialmente a Enfermagem, a Medicina, a Terapia Ocupacional, a Psicologia e outros ramos científicos cujos profissionais acompanham diretamente a criança e sua família, devem encontrar opções capazes de facilitar a aceitação das perdas resultantes desse momento vivido, possibilitando uma atenção adequada a esta mãe.
Após a mãe se distanciar deste maior impacto, que é a internação inesperada do seu bebê na UTIN ela se depara com outras questões significativas - a equipe médica, em geral rápida, determinada; a equipe de enfermagem atenta, próxima e capacitada a executar o que lhes foi solicitado com urgência e precisão; e os outros profissionais da equipe multidisciplinar empenhados em fazer o possível para atender às necessidades do bebê, e ao lado de tudo isto, esta mãe que perde o seu referencial do que realmente seria a maternidade, assiste inerte a procedimentos e acontecimentos ao qual não faz parte de seu mundo real e também imaginário no que se diz respeito a "ser mãe" .
A mãe ao deparar com a situação inusitada da internação do recém-nascido, contrapondo a expectativa na qual esperava um bebê sem intercorrências clínicas que pudesse ir para casa com ela e esse fato acarreta várias conseqüências no âmbito familiar. A internação de um filho, na maioria das vezes, traz como resultado diversos problemas psicossociais para uma família e principalmente para a mãe que geralmente deixa de lado suas atividades cotidianas (abandona casa, marido, trabalho e até mesmo outros filhos) para cuidar do seu bebê na UTIN.
A hospitalização do filho pode ser considerada uma ameaça à integridade corporal e emocional da mãe acompanhante, podendo irromper a sustentação simbólica do bebê imaginário, fragmentar a relação mãe-filho construída ao longo da gestação, negar o exercício da maternidade, em alguns casos, por ocorrer o desejo inconsciente da morte do bebê, esta mãe é lançada repentinamente num outro mundo, em um mundo ameaçador, distante de seu cotidiano, o mundo das instituições, repleto de normas e rotinas.
Para tentar minimizar o sofrimento da mãe, faz-se necessário a implantação de estratégias capazes de inseri-la no cuidado ao Recém-nascido pré-termo ou de crianças que necessitam de cuidados intensivos garantindo uma assistência integral e humanizada desenvolvida por uma equipe multidisciplinar e capacitada para acolhê-los.
2 - Objetivo
2.1 - Objetivo Geral:
Aprimorar o saber coletivo dos alunos do 6º período a partir do inter-relacionamento das disciplinas do curso de Enfermagem/Unincor.
Esclarecer e compreender como foi vivenciada a separação da mãe e filhos durante a internação.
2.1 - Objetivos Específicos:
Identificar os principais problemas maternos da mulher/mãe adolescente relacionados a internações prolongadas do recém-nascido e perceber os medos, ansiedades e receios da mãe.
Realizar revisão literária sobre os meios de enfrentamento da separação mãe e filho;
3 - Metodologia
A abordagem desenvolvida foi estudo qualitativo, observatório e descritivo; onde desenvolveu-se a interdisciplinaridade das disciplinas Enfermagem Neonatal, Epidemiologia e Psicologia, cujo embasamento teórico foi apartir de livros da biblioteca da Universidade Vale do Rio Verde e Artigos Científicos.
Foi entrevistada mãe de gêmeos, cujos bebês se encontravam hospitalizados na UTIN de um hospital de Betim/MG, sendo utilizado instrumento de coleta de dados semi-estruturado elaborado pelos alunos Unincor/Betim tomando como base questionário já submetido a avaliação da equipe do Hospital Universitário do Rio de Janeiro. Foi assinado pela entrevistada, termo de consentimento livre e esclarecido.
4 - Desenvolvimento
4.1 - Assistência pré-natal
A assistência pré-natal, segundo Schwarcz (1996), é a série de contatos, entrevistas ou visitas programadas da gestante com integrantes da equipe de saúde, para o acompanhamento da evolução da gravidez e conseguir uma preparação adequada para o parto e para o cuidado com a criança.
De acordo com Schwarcz (1996), o objetivo do pré-natal consiste em: detectar doenças maternas subclínicas; prevenir, diagnosticar precocemente e tratar as complicações da gravidez; acompanhar o crescimento e a vitalidade fetal; preparar a mãe psico-físicamente para o nascimento; pesquisar possível incompatibilidade sanguínea materno-fetal-neonatal; detectar e prevenir precocemente a anemia materna; prevenir as conseqüências maternas e perinatais das principais DSTs; descartar a presença de Diabetes mellitus clínica e gestacional; descartar a presença de proteinúria, glicosúria e corpos cetônicos na urina, identificar e tratar as infecções do trato urinário e prevenir o tétano neonatal e puerperal.
As consultas e exames realizados no pré-natal permitem identificar e reduzir muitos problemas de saúde que costumam atingir a mãe e o bebê, como hipertensão, anemia, infecção urinária, doenças transmissíveis pelo sangue da mãe para o filho como o caso da AIDS e a sífilis. O ideal é que as gestantes iniciem o pré-natal no primeiro trimestre, evitando problemas que podem levar ao parto precoce, ao aborto e a doenças sérias que tragam conseqüências irreversíveis para a mãe e seu bebê.
O pré-natal pode ser normal (risco habitual), onde não há condições que ameacem a saúde materna e fetal e pode ser de alto risco, que conforme Branden (2000) apresenta fatores que ameacem a saúde da mãe e do feto ou distúrbios que interferem no desenvolvimento fetal normal, o nascimento do bebê ou a transição para a maternidade.
Para o pré-natal de risco habitual, de acordo com a SES-MG (2006), preconizam-se no mínimo seis consultas, sendo, uma consulta no primeiro trimestre, duas consultas no segundo e três consultas no terceiro trimestre. Recomenda-se que o intervalo entre as consultas seja de quatro semanas até a gestação completar 36 semanas, e a partir deste período, que os intervalos sejam de quinze dias.
O roteiro para a primeira consulta inclui: história clínica; gestação atual; antecedentes; antecedentes ginecológicos; história pregressa pessoal; antecedentes familiares; exame físico geral; exame ginecológico; exames laboratoriais. E para consultas subseqüentes, há: revisão da ficha perinatal e anamnese atual; cálculo e anotação da idade gestacional; controle do calendário de vacinação; exame físico geral e gineco-obstétrico; interpretação de exames laboratoriais e solicitação de outros se necessários; solicitar glicemia de jejum, VDRL e urina rotina na 30ª semana; acompanhamento das condutas adotadas em serviços clínicos especializados; realização de ações e práticas educativas individuais e em grupos; registro dos dados da consulta no Cartão da Gestante e no prontuário; todas as consultas deverão ser registradas na Ficha de Atendimento Diário do SISPRENATAL; agendamento de consultas subseqüentes.
Em todas as consultas do pré-natal, segundo a SES-MG (2006), a gestante deve ser avaliada quanto a situações de risco e a presença de alguns destes fatores indica uma gestação de alto risco. As consultas devem ser mais freqüentes, sendo o intervalo definido de acordo com o fator de risco identificado e a condição da gestante no momento. O profissional deve estar atento a todos os cuidados da anamnese, exame físico e exame gineco-obstétrico. A gestante deve ser continuamente orientada quanto ao andamento da sua gravidez.
De acordo com a SES-MG (2006), ela pode ser acompanhada pela equipe do PSF, mantendo-se uma vigilância maior, quando apresentar os seguintes fatores de risco gestacional: idade menor de 17 e maior de 35 anos; ocupação (esforço físico, carga horária, rotatividade de horário, exposição a agentes físicos, químicos e biológicos nocivos, estresse); situação conjugal insegura; baixa escolaridade; condições ambientais desfavoráveis; altura menor que 1,45 m; peso menor que 45 kg ou maior que 75 kg; recém-nascido com crescimento retardado, pré-termo ou mal formado, em gestação anterior; intervalo interpartal menor que dois anos; nuliparidade e multiparidade; síndrome hemorrágica ou hipertensiva, em gestação anterior; cirurgia uterina anterior e ganho ponderal inadequado.
A gestante deve ser encaminhada para o serviço de referência, segundo a SES-MG (2006), na presença de um segundo grupo de fatores de risco: dependência de drogas lícitas e ilícitas; morte perinatal anterior; abortamento habitual; esterilidade / infertilidade; desvio quanto ao crescimento uterino, número de fetos e volume de líquido amniótico; trabalho de parto prematuro e gravidez prolongada; pré-eclâmpsia e eclâmpsia; diabetes gestacional; amniorrexe prematura; hemorragias da gestação; isoimunização; óbito fetal; hipertensão arterial; cardiopatias; pneumopatias; nefropatias; endocrinopatias; hemopatias; epilepsia; doenças infecciosas; doenças auto-imunes e ginecopatias.
Os exames fetais para pacientes em pré-natal de alto risco de acordo com Branden (2000), incluem: exames não invasivos (ultra - sonografia; contagem dos movimentos fetais; perfil biofísico; teste sem estresse; teste do estresse da contração por estimulação dos mamilos; estimulação acústica fetal) e exames invasivos (amostragem do vilo coriônico; teste da alfa-fetoprotéina; amniocentese; amostragem percutânea do sangue do cordão umbilical; teste da contração com ocitocina).
A realização do pré-natal, seja ele de risco habitual ou de alto risco, é de suma importância para a detecção de alterações na saúde materna (física, emocional e socioeconômica), que poderão acarretar variações na idade gestacional (prematuridade ou pós-maturidade) e no peso ao nascer (pequeno ou grande para a idade gestacional), predispondo o neonato a vários problemas, levando-o a terapia intensiva.
A prematuridade e suas seqüelas segundo Kenner (2001), é um dos problemas mais comuns que se observa nas UTIN. Essa questão pode ser reduzida pela realização de um pré-natal bem feito desde o inicio da gestação, tendo uma atenção redobrada por parte do profissional de saúde que o realizará, das condições maternas que propiciam ao problema.
4.2 - Mãe Prematura
A adolescência é a fase em que se formam padrões de comportamentos e desenvolve-se atitudes em função de diversas situações sociais, econômicas ou mesmo ambientais, que determinam a saúde presente e futura (Magalhães,1997).
A Pesquisa Nacional em Demografia e Saúde, de 1996, mostrou um dado alarmante; 14% das adolescentes já tinham pelo menos um filho e as jovens mais pobres apresentavam fecundidade dez vezes maior. Entre as garotas grávidas atendidas pelo SUS no período de 1993 a 1998, houve aumento de 31% dos casos de meninas grávidas entre 10 e 14 anos. Nesses cinco anos, 50 mil adolescentes foram parar nos hospitais públicos devido a complicações de abortos clandestinos. Quase três mil na faixa dos 10 a 14 anos.
A gravidez na adolescência é, portanto, um problema que deve ser levado muito a sério e não deve ser subestimado. Segundo os dados do IBGE, desde 1980 o número de adolescentes entre 15 e 19 anos grávidas aumentou 15%. Só para ter idéia do que isso significa, são cerca de 700 mil meninas tornando-se mães a cada ano no Brasil.
A incidência de recém nascidos de mães adolescentes com baixo peso é duas vezes maior que em recém nascidos de mães adultas, e a taxa de morte neonatal é 3 vezes maior. Entre adolescentes com 17 anos ou menos, 14% dos nascidos são prematuros, enquanto entre as mulheres de 25 a 29 anos é de 6%.A mãe adolescente também apresenta com maior freqüência sintomas depressivos no pós-parto.
No Brasil, o parto é a primeira causa de internação de adolescentes no sistema público de saúde, já que o processo do parto pode ser dificultado por problemas anatômicos e comuns da adolescente, tais como o tamanho e conformidade da pelve, a elasticidade dos músculos uterinos, os temores, desinformação e fantasias da mãe ex-criança, além dos importantíssimos elementos psicológicos e afetivos possivelmente presentes.
Em uma gestante adolescente podem ocorrer complicações tanto para ela como para o bebê, pois segundo Gama et al, 2001, a porcentagem de nascimentos de recém nascidos de baixo peso é muito maior quando a mãe é adolescente. A suplementação da dieta durante a gravidez pode tomar a forma adicional, proteína, vitaminas ou minerais que excedem sua ingestão diária. O ganho de peso recomendado durante a gravidez pode ser levemente maior para a adolescente do que para adulta, porque seu próprio corpo ainda está em processo de formação.
Ao engravidar, a jovem tem de enfrentar, paralelamente, tanto os processos de transformação da adolescência como os da gestação, representando uma sobrecarga de esforços físicos e psicológicos muito grande.
As complicações psicossociais relacionadas à gravidez na adolescência são, em geral, mais importantes que as complicações físicas. Fatos que devem ser levado em consideração, inclusive pela equipe que faz o pré-natal seriam, por exemplo, o abandono do lar dos pais, o abandono pelo pai da criança, a opressão e discriminação social, a interrupção dos estudos e suas conseqüências futuras, tais como os empregos menos remunerados, a dependência financeira dos pais por mais tempo.

