O falar do nordeste goiano: marcas de resistência sociocultural
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Foi a partir das muitas e constantes viagens para várias fazendas do nordeste goiano, principalmente para o vale do Paranã, região que é cortada pelo rio Paranã, considerado como uma grande veia de água e vida para aquela região, que me levou a fazer uma pesquisa sociolingüística nessa região rural, cujo ambiente já conhecia há algum tempo.
A presente pesquisa pretendeu, assim, com base nos pressupostos sociolingüísticos interacionais, traçar o perfil sociocultural de algumas comunidades do nordeste goiano, a partir da focalização das identidades sociais e culturais, consideradas e descritas como um sistema global, enfatizando os padrões lingüístico-discursivos como evidência de aquisição de normas culturais compartilhadas.
A pesquisa inseriu-se em uma proposta de aplicação dos estudos sociolingüísticos interacionais, procurando traçar o perfil sociolingüístico dos moradores dessa região, por meio de uma descrição etnográfica, documentando e analisando os costumes, tradições, crenças , valores e identificando a rede de relações sociais (cf.Milroy,1980), que modela os comportamentos interacionais nos diversos domínios onde ocorrem, como a família, o círculo de amizades e os interesses da comunidade e a partir destas análises, verificou-se a contribuição lingüístico-discursiva no que se refere à formação do léxico no Brasil, salientando vocábulos que ainda fazem parte do repertório do grupo, mas que já caíram em desuso na variação urbana da língua portuguesa no Brasil, mostrando que, ao invés de serem tratados como desvios da norma urbana culta, deveriam ser vistos como marcas de tradição, de fortalecimento do discurso do grupo e de resistência à cultura urbana.
A análise interacional é uma abordagem qualitativa e procede por meio de observações diretas de situações concretas, colocando como centro de interesse a ocorrência discursiva natural, considerada como um modo de atividade social, situada num contexto que inclui a comunidade como um todo, bem como o ambiente local da vida social e cultural da comunidade em que ocorrem os eventos discursivos, tanto os de caráter artístico, como os eventos sociais cotidianos como reflexos de normas culturais compartilhadas, uma vez que a aquisição da língua materna nos primeiros anos de vida da criança corresponde ao início do processo de aculturação e sociabilização, o que faz com que o indivíduo torne membro de seu grupo social, e sua linguagem reflita o contexto cultural no qual este indivíduo está inserido.
A necessidade de um conhecimento mais aprofundado do funcionamento do processo comunicativo deveu-se a diversos questionamentos não solucionados pela sociolingüística quantitativa, como o papel que o fenômeno comunicativo desempenha no exercício do poder e controle e na produção e reprodução da identidade social ou como a ideologia entra na prática discursiva criando um espaço interacional no qual o processo subconsciente de inferências pode gerar uma grande diversidade de interpretações, ou ainda porque a linguagem estigmatizada de alguns grupos tende a persistir mesmo em face das pressões educacionais e sociais para a padronização.
A presente pesquisa pretendeu, assim, com base nos pressupostos sociolingüísticos interacionais, traçar o perfil sociocultural de algumas comunidades do nordeste goiano, a partir da focalização das identidades sociais e culturais, consideradas e descritas como um sistema global, enfatizando os padrões lingüístico-discursivos como evidência de aquisição de normas culturais compartilhadas.
A pesquisa inseriu-se em uma proposta de aplicação dos estudos sociolingüísticos interacionais, procurando traçar o perfil sociolingüístico dos moradores dessa região, por meio de uma descrição etnográfica, documentando e analisando os costumes, tradições, crenças , valores e identificando a rede de relações sociais (cf.Milroy,1980), que modela os comportamentos interacionais nos diversos domínios onde ocorrem, como a família, o círculo de amizades e os interesses da comunidade e a partir destas análises, verificou-se a contribuição lingüístico-discursiva no que se refere à formação do léxico no Brasil, salientando vocábulos que ainda fazem parte do repertório do grupo, mas que já caíram em desuso na variação urbana da língua portuguesa no Brasil, mostrando que, ao invés de serem tratados como desvios da norma urbana culta, deveriam ser vistos como marcas de tradição, de fortalecimento do discurso do grupo e de resistência à cultura urbana.
A análise interacional é uma abordagem qualitativa e procede por meio de observações diretas de situações concretas, colocando como centro de interesse a ocorrência discursiva natural, considerada como um modo de atividade social, situada num contexto que inclui a comunidade como um todo, bem como o ambiente local da vida social e cultural da comunidade em que ocorrem os eventos discursivos, tanto os de caráter artístico, como os eventos sociais cotidianos como reflexos de normas culturais compartilhadas, uma vez que a aquisição da língua materna nos primeiros anos de vida da criança corresponde ao início do processo de aculturação e sociabilização, o que faz com que o indivíduo torne membro de seu grupo social, e sua linguagem reflita o contexto cultural no qual este indivíduo está inserido.
A necessidade de um conhecimento mais aprofundado do funcionamento do processo comunicativo deveu-se a diversos questionamentos não solucionados pela sociolingüística quantitativa, como o papel que o fenômeno comunicativo desempenha no exercício do poder e controle e na produção e reprodução da identidade social ou como a ideologia entra na prática discursiva criando um espaço interacional no qual o processo subconsciente de inferências pode gerar uma grande diversidade de interpretações, ou ainda porque a linguagem estigmatizada de alguns grupos tende a persistir mesmo em face das pressões educacionais e sociais para a padronização.

