Considerações acerca dos mecanismos de defesa, segundo a teoria psicanalítica
 
 
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Trabalhos em português
 
trabalho publicado dia 23/03/2009
 
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section Resumo
 
 
O conceito da palavra "defesa" segundo Anna Freud (1974), é a mais antiga representante do ponto de vista dinâmico dentro da teoria psicanalítica.
Surge pela primeira vez em 1894, em um estudo realizado por Sigmund Freud "The Defence Neuro-Psychoses", daí em diante o termo foi sendo empregado em muitos trabalhos subseqüentes; e indubitavelmente o termo constitui-se de valor grandioso nos dias atuais, para a compreensão das instâncias psíquicas.
Em 1926, numa conferência, "Inhibitions Symptoms and Anxiety" , Freud definiu a palavra defesa como sendo uma operação pela qual o ego exclui da consciência os conteúdos indesejáveis, protegendo, desta forma, o aparelho psíquico. O ego, uma instância a serviço da realidade externa e sede dos processos defensivos, mobiliza mecanismos que suprimem ou dissimulam a percepção do perigo interno, em função de perigos reais ou imaginários localizados no mundo exterior.
Diante da definição original defendida por Sigmund Freud, diversos autores embasados na postulação de Freud, ponderam a respeito dos mecanismos de defesa.
Bock et. al. (2001) pondera que a percepção de um acontecimento do mundo externo ou do mundo interno, pode ser algo muito constrangedor, doloroso, desorganizador; evitando esse desprazer, a pessoa deforma ou suprime a realidade, deixando de registrar percepções externas, afastando determinados conteúdos psíquicos que interfere nos pensamentos.
São vários os mecanismos que o indivíduo poderá usar para realizar a deformação da realidade, dentre eles poderemos enumerar alguns: recalque, regressão, projeção, racionalização, isolamento, introjeção, negação, inversão contra o eu, reversão, deslocamento, sublimação, identificação projetiva, formação reativa e mais. Aqui nos deteremos a explicitar os últimos mecanismos citados; a quem desejar aprofundamento na teoria dos mecanismos de defesa, sugerimos a leitura das obras citadas nas referências bibliográficas.


1. A volta contra si mesmo

Segundo Collette (1978), este mecanismo está em estreita ligação com componentes masoquistas. São as idéias e afetos inconscientes impossibilitados de manifestar-se em função de censuras e interdições sociais, sendo assim, a energia não encontra saída para o plano exterior voltando-se contra o próprio sujeito, aparecendo os comportamentos masoquistas como a autocensura, confissão de culpa de maneira humilhante e punição por meio de privações, autodesvalorização e depreciação de si mesmo. Consiste também, uma consideração exagerada pelos outros, que é uma forma de altruísmo, sempre cedendo aos outros. Adotam atitudes de desinteresse, evitando reivindicar o que é deles por direito. Esse indivíduo busca igualdade ao próximo pois teme a competição.
Conforme afirma Collette (1978), a agressividade não toma o caminho da expressão externa, deslocando e agindo de modo sutil, desviado contra o indivíduo que sente sua consciência mais tranqüila.
Esse mecanismo parece ser maléfico, pois, a realidade exterior assume um lugar importante demais na motivação dos comportamentos, tornando-se um mecanismo de orientação neurótica, embora favoreça a adaptação e o ajustamento do indivíduo fazendo detrimento das necessidades do mesmo, segundo o autor.

2. Compensação

Segundo Collette (1978), a compensação é um mecanismo de defesa do ego, pois muitas vezes intervém como processo de adaptação do ego em algumas circunstâncias. Tem como principal efeito diminuir e evitar a ansiedade que ocorre em situações de inferioridade real ou sentida, dando segurança para o indivíduo, que muitas vezes, faz uma avaliação incorreta de si mesmo. É um processo inteiramente inconsciente, que conduz o indivíduo no caminho das atividades normais derivadas de uma necessidade que não seja satisfatória, porém, certas atividades são empreendidas de modo voluntário e consciente. Funciona tanto no plano fisiológico, no qual, um órgão supere a necessidade de outro; e no plano psíquico reduzindo a inferioridade.
O mecanismo de compensação, segundo o mesmo autor, forma-se durante a infância, período em que são numerosas as situações de fracasso e inferioridade. No adulto afetam domínios diferentes, principalmente em níveis sócio-econômicos, pois um dos fatores de valorização do homem na sociedade moderna, é a realização profissional, o que geralmente não ocorre e com isso o indivíduo ocupa uma posição social superior a sua. Ocorre também em situações de coletividade, com base na inferioridade real ou sentida, contra a qual um grupo de indivíduos tenta reduzir.
Tipos principais de compensação:
- Compensação de desempenho físicos ou intelectuais ou de inferioridade sócio-econômicas: Indivíduo se sente inferior, e procura suprir esse déficit através de exercícios ou aprendizagens persistentes, a pobreza atua como estimulo para impedir o indivíduo de alcançar situações de projeção;
- Supercompensação: busca intensa de um caminho que permita esquece-la mediante a dedicação a atividade valorizadoras;
- Compensação por substituição: um comportamento que coloca o indivíduo em situação difícil são compensados por outro totalmente diferente;
- Compensação pelo jogo: Imagina em jogos situações valorizadas, compensa por meio da ficção (característica na criança).
A compensação só é considerada normal quando se quer evitar a inferioridade real e quando a nova atividade derivada dela não invade outros comportamentos, se mantendo dentro dos limites pessoais e sociais normais, segundo Collette (1978).
 
 
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