A inclusão digital dos alunos do ensino médio EJA: superando as dificuldades de acesso ao ensino superior
ainda não avaliado
nível : expert
consultado 0 vezes
1- Introdução
A presente monografia vem abordar um tema bastante recorrente: a educação de jovens e adultos matriculados em escola pública e as dificuldades de acesso ao ensino superior com a proposta empreendedora de inclusão digital como forma de incentiva-los a concluir a etapa do ensino médio. Também será abordado o papel instigante da Educação Empreendedora em suprir certas deficiências existentes na aquisição dos conhecimentos, os pressupostos mais importantes serão a motivação, a inovação e a mudança de situação após a equipe pedagógica principalmente professores e alunos, supervisores e orientadores educacionais também começarem a incorporar práticas inovadoras em educação.
O desenvolvimento da pesquisa será baseada em estudos de observações, dados estatísticos e fontes bibliográficas que tratarão da situação dos alunos de EJA e a implementação de conceitos da Educação Empreendedora. O que mais se evidenciará será a situação que os alunos da EJA se defrontarão durante o curso de ensino médio principalmente com relação a permanência e conclusão do curso.
As reflexões abordadas nesse estudo serão construídas primeiramente através de questionários que embasarão as informações da vasta bibliografia existente e os dados quantitativos e qualitativos desenvolvidos ao longo da análise do perfil desses alunos.
Também ao ser abordado o perfil dos alunos matriculados nas turmas de EJA na Escola Estadual Amélia Passos localizada em Santa Cruz de Minas - Minas Gerais serão apresentados dados que comprovam a atipicidade dos alunos, pois além de trabalhar e estudar possuem certas responsabilidades que são frutos das relações econômicas e sociais existentes. Muitas indagações surgiram ao longo da pesquisa, será que o conteúdo ensinado em sala por professores não atendem às expectativas e anseios dos alunos, o fator trabalho estará interferindo no horário de estudos, o desânimo aparente reflete problemas sociais e econômicos e qual o papel da família no quesito apoio ou desconfiança que o estudo seja necessário para a vida profissional e na aquisição de conhecimentos? Em ARROYO (2006) temos o pensamento: o campo da EJA tem uma longa história, entretanto não é ainda um campo consolidado nas áreas de pesquisa, de políticas públicas e diretrizes educacionais, da formação de educadores e intervenções pedagógica (p.30). Enfatizando que para educar alunos da EJA é necessário haver algo a mais do que cumprir os conteúdos pedagógicos e a proposta da escola. Ainda em ARROYO(2006),
Penso que a reconfiguração da EJA não pode começar por perguntar-nos pelo seu lugar no sistema de educação e menos pelo seu lugar nas modalidades de ensino. (...) O ponto de partida deverá ser perguntar-nos quem são esses jovens e adultos. (ARROYO, 2006, p.22)
Feliz colocação de Arroyo remete ao fato que os alunos de EJA precisam de incentivo e direcionamento no processo de ensino e aprendizagem e isso é passível de ser implantado através de uma tecnologia inovadora. A proposta da presente monografia é a inclusão digital como forma de interação, busca de conhecimentos e motivação. O mundo digital afigura como algo novo e diferente, porém ainda oculto para esses alunos que provém de situação familiar pouco incentivadora a usar as novas tecnologias educacionais. O fato é que o aluno de EJA pelas suas características culturais se tornou um aluno diferente, inseguro e, sua busca é por auto-afirmação e a inclusão digital pode ocupar o lugar dessas deficiências comportamentais.
A questão também emergente da presente monografia é a dificuldade de acesso ao ensino superior pelos alunos matriculados na EJA, o que acredita-se ser um reflexo das condições conjunturais tais como: sócio-econômicas , culturais e até mesmo raciais, embora essa última em menor grau. Lembrando DUARTE (2003):
Atualmente o crescente uso das NTIC's (Novas Tecnologias de Informação e Comunicação), principalmente o computador, além dos meios digitais de aquisição, tratamento e disseminação de informações, se fazem presentes e necessários nas mais diversificadas áreas do conhecimento e também da vida cotidiano dos sujeitos. Nas ruas, nos meios de transporte, nos bancos, nos supermercados, nas repartições públicas, nos domicílios, nos mais diversos ambientes de trabalho, encontra-se tais meios midiáticos. Verifica-se a presença das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação com os sujeitos que portam cartões magnéticos; utilizam catracas eletrônicas, urnas eletrônicas, caixas eletrônicos e aparelhos eletrônicos entre outros. Tais situações, que para alguns parecem corriqueiras, são para a maioria da população conflitantes e até mesmo constrangedoras em determinados momentos. Muitos se perguntam o que fazer diante dessas "parafernálias", o que nos demonstram uma total falta de conhecimento destas diante das Novas Tecnologias de informação e Comunicação. Dentro desse grupo de pessoas verificamos em especifico o público da EJA, que pode fazer parte de um novo tipo de exclusão, a chamada exclusão digital. que vem reforçar a exclusão social já sofrida por muitos. (p.2-3)
Esse risco de exclusão digital reforçada pela exclusão social é que não pode continuar existir, quando da proposta de estabelecimento de um ensino que priorize a busca de conhecimentos através de uma tecnologia é um grande passo para a efetivação da educação direcionada para todos os públicos. A partir do momento que os alunos conseguirem vencer as barreiras dos conteúdos nas turmas da EJA e interessarem pela inclusão digital novos horizontes se avistarão pois o acesso ao ensino superior demanda dedicação e esforço cada vez maior.
A proposta apresentada é inserir os alunos matriculados na EJA médio em um programa de uso de computadores, o acesso a informática se dará pela orientação dos professores, além deles aprenderem ferramentas básicas como ligar e desligar o computador, em cada conteúdo terão a oportunidade de acessar notícias e bibliografias pertinentes ao estudo, para isso é necessário implementar a sala de informática que nas escolas públicas de Minas Gerais já foram contempladas com máquinas e mobiliário doados pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, e os professores já passaram por curso de treinamento na área de informática "Proinfo" , estando assim a parte tecnológica pronta, bastando somente a execução de ações.
2- Revisão de Literatura
Ao elaborar a presente monografia foi pensado na pesquisa bibliográfica e a coleta de dados como significativo no processo de elucidação dos fatos apresentados e como embasamento do tema apresentado e quando da execução da pesquisa de campo de cunho etnográfico relevante.
Os autores com maior evidência no estudo dos processos educacionais de EJA são apontados: Arroyo (2003), Paulo Freire (1976), Gadotti (1991), Paiva (1995) e Pinto (1996) e na parte da Educação Empreendedora foram consultados Dolabela (2003) e Souza Neto (2003), entre outros destacados ao longo da revisão de literatura expressa no decorrer deste trabalho, exemplificam de forma clara o papel dessa educação direcionada a um público sedento de oportunidades e nenhum conhecimento. Os conceitos de Educação Empreendedora e Empreendedorismo esteve presente ao formular a presente monografia pois a tônica do tema é inovação e motivação dos alunos da EJA Médio, isso conseguido através da inclusão digital que poderá expandir os conhecimentos e inseri-los não somente no mundo digital e virtual mas no ensino superior, recuperando a dignidade dos anseios de cada aluno. Refere-se a conhecimentos quando são apontados todo o processo de aculturação desses alunos desde às séries iniciais em consonância com a realidade de cada um.
Ao apreender o pensamento de autores sobre a EJA é percebido a vasta e bem organizada bibliografia existente, cada autor enfoca determinados pontos sensíveis à observação e condução da pesquisa, muito importante, pois cada foco da situação reflete uma problemática que deve ser investigada. Desenvolver pesquisa acerca da EJA é um campo fértil para elucidação de muitos problemas que hoje compõem os dados de evasão escolar e dificuldades de acesso no ensino superior principalmente nesse público segundo dados do CENSO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR .
No presente trabalho foram consultados diversos textos e trabalhos que puderam fazer a confrontação de dados relevantes em face dos dados estatísticos e a literatura pôde elucidar muitas indagações e hipóteses levantadas. Também foram acessados sites governamentais com o intuito de embasamento das informações descritas na monografia.
2.1- Capítulo I - Novos caminhos da educação: A Educação Empreendedora
Por muitas décadas educadores propuseram novas maneiras de ensinar e de aprender, muitos conceitos educacionais foram editados, a Pedagogia começou a pensar a situação do professor e aluno e os dados sobre o processo de educar foram vistos e revistos e novas correntes pedagógicas surgiram, mas ainda assim no início do século XXI ainda se buscava novas maneiras de educar.
A educação desde os primórdios teve a característica de evoluir e passar por novos caminhos, onde atualmente surgiu um novo conceito: Empreendedorismo na educação, na economia, na sociedade, e assim o novo conceito começou a ser editado como um caminho de inovação e evolução.
No Brasil, temos o autor Fernando Dolabela que vem contribuíndo com novos conceitos sobre a educação, e essa é denominada de "Educação Empreendedora".
A tarefa da educação empreendedora é principalmente fortalecer os valores empreendedores na sociedade. É dar sinalização positiva para a capacidade individual e coletiva de gerar valores para toda a comunidade, a capacidade de inovar, de ser autônomo, de buscar a sustentabilidade, de ser protagonista. Ela deve dar novos conteúdos aos antigos conceitos de estabilidade e segurança - impregnados na nossa cultura, mas referentes a contextos hoje inexistentes. Atualmente, estabilidade e segurança envolvem a capacidade da pessoa de correr riscos limitados e de se adaptar e antecipar às mudanças, mudando a si mesma permanentemente (DOLABELA, 2003, p. 130-131).
Ainda temos em BARRETO (1998):
A expressão empreendedorismo foi traduzida da palavra inglesa entrepreneurship,que, por sua vez, foi derivada do latim imprehendere, tendo seu correspondente empreender, surgido na língua portuguesa no século XV. Barreto (1998) define mpreendedorismo como a habilidade de se conceber e estabelecer algo partindo de muito pouco ou quase nada. O autor não atrela esta capacidade a uma característica de personalidade, já que considera o empreendedorismo como um comportamento ou processo voltado para a criação e desenvolvimento de um negócio que trará resultados positivos. Em outras palavras, empreender é conseguir criar valor através do desenvolvimento de uma empresa.
do desenvolvimento de uma empresa.
O ambiente cultural dentro da escola e nas salas de aula vem formar os alunos que matriculados procuram o conhecimento na relação com o professor. Se pensar na educação empreendedora direcionada nas turmas de EJA mais ainda serão encontrados dados que corroboram a idéia de uma educação inovadora que transforme a realidade e alcance os objetivos.
Antes de estabelecer a Educação Empreendedora se tem em mente o conceito de se tornar empreendedor já que a educação somente é viva por causa da ação humana continuamente e se tratando de vivacidade o professor deve congregar algumas qualidades de ser empreendedor. A atitude empreendedora quer seja em qualquer setor da vida floresce devido a alguma necessidade e a partir do momento que o individuo necessita de sempre estar atento às necessidades e pensar sempre a solução para os problemas.
Segundo dados do SEBRAE (2002, p. 4) no relatório global sobre Empreendedorismo no Brasil, estima-se que 14,4 milhões de pessoas estejam envolvidas com alguma atividade empreendedora, ou seja, 1 em cada 7 brasileiros. E quando se pensa na prática empreendedora voltada à educação é necessário que ela provoque nos alunos novas posturas e ações. A partir de algo que impulsione ou transforme a realidade local é que poderá haver uma atitude empreendedora e como já foi expresso tenha como objetivo suprir alguma necessidade no caso educacional.
Outro fator importante para disseminação da Educação Empreendedora segundo Dolabela (2003) é A estratégia pedagógica apoiá-se em duas propostas de descoberta: a construção do sonho e a busca de realização do sonho Os dois momentos, o ato de sonhar e o ato de buscar a realização do sonho, tomados como uma unidade, de forma indissociável, compõem o eixo do auto-aprendizado. Ao despertar no indivíduo o desejo de conseguir algo começa o processo em que ele é identificado com o algo desejado e começa a sonhar. Nesse ponto é necessário haver uma orientação que direcione e potencialize "esse sonho" na direção de torná-lo realidade, mas para isso é necessário uma constante orientação.
Esse conceito aplicado à prática educativa inovadora se pauta na orientação do aluno quanto às possibilidades de concretização do sonho e os possíveis entraves que estarão no caminho, sendo que a superação dos obstáculos torna-se meritório. O caminho de aprendizado do empreendedor é contínuo e pode transcorrer por toda a sua vida.
Assim, o ciclo do aprendizado empreendedor pode ser descrito em dois momentos: Primeiro momento: O indivíduo desenvolve um sonho, um lugar no futuro onde deseja chegar ou estar ou ser.Segundo momento:Ele busca a realização do sonho e, em função desta tentativa, busca aprender o que for necessário para realizar este sonho.A relação entre os dois momentos é que vai determinar a intensidade do processo empreendedor. Através desta relação nasce o caráter empreendedor e a necessidade do saber, do conhecimento. A caminhada em direção ao sonho, ou a busca constante de realização do sonho, é a fonte de geração e manutenção do nível emocional que dá ao indivíduo a capacidade de persistir, de continuar apesar dos erros e fracassos. A habilidade de tentar, aprender com os erros e, portanto, evoluir, constitui-se a própria construção do saber-empreendedor.Em termos mais específicos, podemos dizer que os objetivos pedagógicos estão relacionados com as capacidades de: ser capaz de sonhar; ser capaz de caminhar, persistir e se emocionar na busca da realização do sonho; saber estabelecer as interconexões auto-criativas entre os dois primeiros momentos, o ser capaz de sonhar e o ser capaz de realizar (DOLABELA, 2003 p.8).
E ao conduzir o processo de incentivo e implementação dos sonhos o professor deve sempre pautar em atitudes éticas e sóbrias, começando pela idéia de que quanto mais claro e conciso for o padrão dos sonhos melhor para ser realizado. Na prática educativa ser empreendedor se torna necessário conhecer a si próprio, a realidade e os projetos que são os sonhos e na realidade pedagógica das escolas na atualidade desenvolver a Educação Empreendedora é um nobre caminho pedagógico que impulsionará o processo de ensino e aprendizagem que por tantas vezes foi amarrado a tradicionalismos e não conseguiu levar aos alunos o verdadeiro conhecimento, tornando assim, todo esforço do professor inútil. Acreditando que a prática empreendedora captará novos caminhos para os problemas da educação no Brasil é proposto na presente monografia um grande impulso para as turmas da EJA médio: a inclusão e a educação digital onde poderão buscar conhecimentos de uma maneira inovadora e empreendedora desenvolvendo uma cultura voltada para a mudança positiva. É necessário ter sempre em mente que Ser empreendedor é ser um virador ( SOUZA NETO, 2003).
2.2 - Capítulo II - Perfis dos alunos do curso EJA médio da Escola Estadual Amélia Passos em Santa Cruz de Minas
Os alunos do Projeto EJA (Educação de Jovens e Adultos) da Escola Estadual Amélia Passos localizada no município de Santa Cruz de Minas apresentam muitas dificuldades no processo ensino-aprendizagem, não diferenciando porém de outros alunos de escolas públicas da região, porém há fatores adicionais e que estão presentes na história de vidas deles que é atípica e por se tratar de alunos na faixa etária adulta possuem vivências e desejos diversos.
A presente monografia vem abordar um tema bastante recorrente: a educação de jovens e adultos matriculados em escola pública e as dificuldades de acesso ao ensino superior com a proposta empreendedora de inclusão digital como forma de incentiva-los a concluir a etapa do ensino médio. Também será abordado o papel instigante da Educação Empreendedora em suprir certas deficiências existentes na aquisição dos conhecimentos, os pressupostos mais importantes serão a motivação, a inovação e a mudança de situação após a equipe pedagógica principalmente professores e alunos, supervisores e orientadores educacionais também começarem a incorporar práticas inovadoras em educação.
O desenvolvimento da pesquisa será baseada em estudos de observações, dados estatísticos e fontes bibliográficas que tratarão da situação dos alunos de EJA e a implementação de conceitos da Educação Empreendedora. O que mais se evidenciará será a situação que os alunos da EJA se defrontarão durante o curso de ensino médio principalmente com relação a permanência e conclusão do curso.
As reflexões abordadas nesse estudo serão construídas primeiramente através de questionários que embasarão as informações da vasta bibliografia existente e os dados quantitativos e qualitativos desenvolvidos ao longo da análise do perfil desses alunos.
Também ao ser abordado o perfil dos alunos matriculados nas turmas de EJA na Escola Estadual Amélia Passos localizada em Santa Cruz de Minas - Minas Gerais serão apresentados dados que comprovam a atipicidade dos alunos, pois além de trabalhar e estudar possuem certas responsabilidades que são frutos das relações econômicas e sociais existentes. Muitas indagações surgiram ao longo da pesquisa, será que o conteúdo ensinado em sala por professores não atendem às expectativas e anseios dos alunos, o fator trabalho estará interferindo no horário de estudos, o desânimo aparente reflete problemas sociais e econômicos e qual o papel da família no quesito apoio ou desconfiança que o estudo seja necessário para a vida profissional e na aquisição de conhecimentos? Em ARROYO (2006) temos o pensamento: o campo da EJA tem uma longa história, entretanto não é ainda um campo consolidado nas áreas de pesquisa, de políticas públicas e diretrizes educacionais, da formação de educadores e intervenções pedagógica (p.30). Enfatizando que para educar alunos da EJA é necessário haver algo a mais do que cumprir os conteúdos pedagógicos e a proposta da escola. Ainda em ARROYO(2006),
Penso que a reconfiguração da EJA não pode começar por perguntar-nos pelo seu lugar no sistema de educação e menos pelo seu lugar nas modalidades de ensino. (...) O ponto de partida deverá ser perguntar-nos quem são esses jovens e adultos. (ARROYO, 2006, p.22)
Feliz colocação de Arroyo remete ao fato que os alunos de EJA precisam de incentivo e direcionamento no processo de ensino e aprendizagem e isso é passível de ser implantado através de uma tecnologia inovadora. A proposta da presente monografia é a inclusão digital como forma de interação, busca de conhecimentos e motivação. O mundo digital afigura como algo novo e diferente, porém ainda oculto para esses alunos que provém de situação familiar pouco incentivadora a usar as novas tecnologias educacionais. O fato é que o aluno de EJA pelas suas características culturais se tornou um aluno diferente, inseguro e, sua busca é por auto-afirmação e a inclusão digital pode ocupar o lugar dessas deficiências comportamentais.
A questão também emergente da presente monografia é a dificuldade de acesso ao ensino superior pelos alunos matriculados na EJA, o que acredita-se ser um reflexo das condições conjunturais tais como: sócio-econômicas , culturais e até mesmo raciais, embora essa última em menor grau. Lembrando DUARTE (2003):
Atualmente o crescente uso das NTIC's (Novas Tecnologias de Informação e Comunicação), principalmente o computador, além dos meios digitais de aquisição, tratamento e disseminação de informações, se fazem presentes e necessários nas mais diversificadas áreas do conhecimento e também da vida cotidiano dos sujeitos. Nas ruas, nos meios de transporte, nos bancos, nos supermercados, nas repartições públicas, nos domicílios, nos mais diversos ambientes de trabalho, encontra-se tais meios midiáticos. Verifica-se a presença das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação com os sujeitos que portam cartões magnéticos; utilizam catracas eletrônicas, urnas eletrônicas, caixas eletrônicos e aparelhos eletrônicos entre outros. Tais situações, que para alguns parecem corriqueiras, são para a maioria da população conflitantes e até mesmo constrangedoras em determinados momentos. Muitos se perguntam o que fazer diante dessas "parafernálias", o que nos demonstram uma total falta de conhecimento destas diante das Novas Tecnologias de informação e Comunicação. Dentro desse grupo de pessoas verificamos em especifico o público da EJA, que pode fazer parte de um novo tipo de exclusão, a chamada exclusão digital. que vem reforçar a exclusão social já sofrida por muitos. (p.2-3)
Esse risco de exclusão digital reforçada pela exclusão social é que não pode continuar existir, quando da proposta de estabelecimento de um ensino que priorize a busca de conhecimentos através de uma tecnologia é um grande passo para a efetivação da educação direcionada para todos os públicos. A partir do momento que os alunos conseguirem vencer as barreiras dos conteúdos nas turmas da EJA e interessarem pela inclusão digital novos horizontes se avistarão pois o acesso ao ensino superior demanda dedicação e esforço cada vez maior.
A proposta apresentada é inserir os alunos matriculados na EJA médio em um programa de uso de computadores, o acesso a informática se dará pela orientação dos professores, além deles aprenderem ferramentas básicas como ligar e desligar o computador, em cada conteúdo terão a oportunidade de acessar notícias e bibliografias pertinentes ao estudo, para isso é necessário implementar a sala de informática que nas escolas públicas de Minas Gerais já foram contempladas com máquinas e mobiliário doados pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, e os professores já passaram por curso de treinamento na área de informática "Proinfo" , estando assim a parte tecnológica pronta, bastando somente a execução de ações.
2- Revisão de Literatura
Ao elaborar a presente monografia foi pensado na pesquisa bibliográfica e a coleta de dados como significativo no processo de elucidação dos fatos apresentados e como embasamento do tema apresentado e quando da execução da pesquisa de campo de cunho etnográfico relevante.
Os autores com maior evidência no estudo dos processos educacionais de EJA são apontados: Arroyo (2003), Paulo Freire (1976), Gadotti (1991), Paiva (1995) e Pinto (1996) e na parte da Educação Empreendedora foram consultados Dolabela (2003) e Souza Neto (2003), entre outros destacados ao longo da revisão de literatura expressa no decorrer deste trabalho, exemplificam de forma clara o papel dessa educação direcionada a um público sedento de oportunidades e nenhum conhecimento. Os conceitos de Educação Empreendedora e Empreendedorismo esteve presente ao formular a presente monografia pois a tônica do tema é inovação e motivação dos alunos da EJA Médio, isso conseguido através da inclusão digital que poderá expandir os conhecimentos e inseri-los não somente no mundo digital e virtual mas no ensino superior, recuperando a dignidade dos anseios de cada aluno. Refere-se a conhecimentos quando são apontados todo o processo de aculturação desses alunos desde às séries iniciais em consonância com a realidade de cada um.
Ao apreender o pensamento de autores sobre a EJA é percebido a vasta e bem organizada bibliografia existente, cada autor enfoca determinados pontos sensíveis à observação e condução da pesquisa, muito importante, pois cada foco da situação reflete uma problemática que deve ser investigada. Desenvolver pesquisa acerca da EJA é um campo fértil para elucidação de muitos problemas que hoje compõem os dados de evasão escolar e dificuldades de acesso no ensino superior principalmente nesse público segundo dados do CENSO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR .
No presente trabalho foram consultados diversos textos e trabalhos que puderam fazer a confrontação de dados relevantes em face dos dados estatísticos e a literatura pôde elucidar muitas indagações e hipóteses levantadas. Também foram acessados sites governamentais com o intuito de embasamento das informações descritas na monografia.
2.1- Capítulo I - Novos caminhos da educação: A Educação Empreendedora
Por muitas décadas educadores propuseram novas maneiras de ensinar e de aprender, muitos conceitos educacionais foram editados, a Pedagogia começou a pensar a situação do professor e aluno e os dados sobre o processo de educar foram vistos e revistos e novas correntes pedagógicas surgiram, mas ainda assim no início do século XXI ainda se buscava novas maneiras de educar.
A educação desde os primórdios teve a característica de evoluir e passar por novos caminhos, onde atualmente surgiu um novo conceito: Empreendedorismo na educação, na economia, na sociedade, e assim o novo conceito começou a ser editado como um caminho de inovação e evolução.
No Brasil, temos o autor Fernando Dolabela que vem contribuíndo com novos conceitos sobre a educação, e essa é denominada de "Educação Empreendedora".
A tarefa da educação empreendedora é principalmente fortalecer os valores empreendedores na sociedade. É dar sinalização positiva para a capacidade individual e coletiva de gerar valores para toda a comunidade, a capacidade de inovar, de ser autônomo, de buscar a sustentabilidade, de ser protagonista. Ela deve dar novos conteúdos aos antigos conceitos de estabilidade e segurança - impregnados na nossa cultura, mas referentes a contextos hoje inexistentes. Atualmente, estabilidade e segurança envolvem a capacidade da pessoa de correr riscos limitados e de se adaptar e antecipar às mudanças, mudando a si mesma permanentemente (DOLABELA, 2003, p. 130-131).
Ainda temos em BARRETO (1998):
A expressão empreendedorismo foi traduzida da palavra inglesa entrepreneurship,que, por sua vez, foi derivada do latim imprehendere, tendo seu correspondente empreender, surgido na língua portuguesa no século XV. Barreto (1998) define mpreendedorismo como a habilidade de se conceber e estabelecer algo partindo de muito pouco ou quase nada. O autor não atrela esta capacidade a uma característica de personalidade, já que considera o empreendedorismo como um comportamento ou processo voltado para a criação e desenvolvimento de um negócio que trará resultados positivos. Em outras palavras, empreender é conseguir criar valor através do desenvolvimento de uma empresa.
do desenvolvimento de uma empresa.
O ambiente cultural dentro da escola e nas salas de aula vem formar os alunos que matriculados procuram o conhecimento na relação com o professor. Se pensar na educação empreendedora direcionada nas turmas de EJA mais ainda serão encontrados dados que corroboram a idéia de uma educação inovadora que transforme a realidade e alcance os objetivos.
Antes de estabelecer a Educação Empreendedora se tem em mente o conceito de se tornar empreendedor já que a educação somente é viva por causa da ação humana continuamente e se tratando de vivacidade o professor deve congregar algumas qualidades de ser empreendedor. A atitude empreendedora quer seja em qualquer setor da vida floresce devido a alguma necessidade e a partir do momento que o individuo necessita de sempre estar atento às necessidades e pensar sempre a solução para os problemas.
Segundo dados do SEBRAE (2002, p. 4) no relatório global sobre Empreendedorismo no Brasil, estima-se que 14,4 milhões de pessoas estejam envolvidas com alguma atividade empreendedora, ou seja, 1 em cada 7 brasileiros. E quando se pensa na prática empreendedora voltada à educação é necessário que ela provoque nos alunos novas posturas e ações. A partir de algo que impulsione ou transforme a realidade local é que poderá haver uma atitude empreendedora e como já foi expresso tenha como objetivo suprir alguma necessidade no caso educacional.
Outro fator importante para disseminação da Educação Empreendedora segundo Dolabela (2003) é A estratégia pedagógica apoiá-se em duas propostas de descoberta: a construção do sonho e a busca de realização do sonho Os dois momentos, o ato de sonhar e o ato de buscar a realização do sonho, tomados como uma unidade, de forma indissociável, compõem o eixo do auto-aprendizado. Ao despertar no indivíduo o desejo de conseguir algo começa o processo em que ele é identificado com o algo desejado e começa a sonhar. Nesse ponto é necessário haver uma orientação que direcione e potencialize "esse sonho" na direção de torná-lo realidade, mas para isso é necessário uma constante orientação.
Esse conceito aplicado à prática educativa inovadora se pauta na orientação do aluno quanto às possibilidades de concretização do sonho e os possíveis entraves que estarão no caminho, sendo que a superação dos obstáculos torna-se meritório. O caminho de aprendizado do empreendedor é contínuo e pode transcorrer por toda a sua vida.
Assim, o ciclo do aprendizado empreendedor pode ser descrito em dois momentos: Primeiro momento: O indivíduo desenvolve um sonho, um lugar no futuro onde deseja chegar ou estar ou ser.Segundo momento:Ele busca a realização do sonho e, em função desta tentativa, busca aprender o que for necessário para realizar este sonho.A relação entre os dois momentos é que vai determinar a intensidade do processo empreendedor. Através desta relação nasce o caráter empreendedor e a necessidade do saber, do conhecimento. A caminhada em direção ao sonho, ou a busca constante de realização do sonho, é a fonte de geração e manutenção do nível emocional que dá ao indivíduo a capacidade de persistir, de continuar apesar dos erros e fracassos. A habilidade de tentar, aprender com os erros e, portanto, evoluir, constitui-se a própria construção do saber-empreendedor.Em termos mais específicos, podemos dizer que os objetivos pedagógicos estão relacionados com as capacidades de: ser capaz de sonhar; ser capaz de caminhar, persistir e se emocionar na busca da realização do sonho; saber estabelecer as interconexões auto-criativas entre os dois primeiros momentos, o ser capaz de sonhar e o ser capaz de realizar (DOLABELA, 2003 p.8).
E ao conduzir o processo de incentivo e implementação dos sonhos o professor deve sempre pautar em atitudes éticas e sóbrias, começando pela idéia de que quanto mais claro e conciso for o padrão dos sonhos melhor para ser realizado. Na prática educativa ser empreendedor se torna necessário conhecer a si próprio, a realidade e os projetos que são os sonhos e na realidade pedagógica das escolas na atualidade desenvolver a Educação Empreendedora é um nobre caminho pedagógico que impulsionará o processo de ensino e aprendizagem que por tantas vezes foi amarrado a tradicionalismos e não conseguiu levar aos alunos o verdadeiro conhecimento, tornando assim, todo esforço do professor inútil. Acreditando que a prática empreendedora captará novos caminhos para os problemas da educação no Brasil é proposto na presente monografia um grande impulso para as turmas da EJA médio: a inclusão e a educação digital onde poderão buscar conhecimentos de uma maneira inovadora e empreendedora desenvolvendo uma cultura voltada para a mudança positiva. É necessário ter sempre em mente que Ser empreendedor é ser um virador ( SOUZA NETO, 2003).
2.2 - Capítulo II - Perfis dos alunos do curso EJA médio da Escola Estadual Amélia Passos em Santa Cruz de Minas
Os alunos do Projeto EJA (Educação de Jovens e Adultos) da Escola Estadual Amélia Passos localizada no município de Santa Cruz de Minas apresentam muitas dificuldades no processo ensino-aprendizagem, não diferenciando porém de outros alunos de escolas públicas da região, porém há fatores adicionais e que estão presentes na história de vidas deles que é atípica e por se tratar de alunos na faixa etária adulta possuem vivências e desejos diversos.

