A gênese gaúcha: uma abordagem histórica da formação do Rio Grande do Sul, terra povo
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A história do Rio Grande do Sul, - a posse da terra, as demarcações de fronteiras, a colonização e a definição da identidade - constitui rica e singular epopéia sem que talvez os protagonistas jamais tenham tomado consciência de sua condição de heróis. Incluído tardiamente no mapa do Brasil, o Continente, como era chamado pelos primitivos desbravadores, paulistas, lagunenses e açorianos foi palco de lutas justas e injustas, disputas selvagens, episódios de bravura e de heroísmo que forjaram a índole das gentes que, mais tarde, vieram compor o povo rio-grandense. Em seqüência dinâmica, a tomada da terra meridional obedece à lei de ação e reação: os padres da Companhia de Jesus, nos primórdios do Brasil como nação, trouxeram o gado para povoar as infindáveis planuras da terra dos Tape - nome primitivo das terras sulistas, onde fixaram as reduções jesuíticas. Mais tarde, dizimadas as povoações guaraníticas nas várias guerras pela disputa da terra, esse gado, lançado nas pastagens sem fronteiras, atraiu a cobiça dos bandeirantes e de toda a sorte de aventureiros que para lá se deslocaram, a fim de prear gado selvagem, apossarem-se da terra, fundando as estâncias, células-mater da colonização do Brasil meridional. Concomitantemente havia o assédio constante dos castelhanos o que fazia de cada estância um quartel e de cada estancieiro um comandante. Esse permanente estado de beligerância - quase um século de guerras e revoluções, moldou o caráter do gaúcho, determinando virtudes e defeitos, decidindo as características que o fazem diferente do resto da nação. A trajetória de um povo, suas lendas e narrativas, valores culturais e espirituais, usos, costumes e símbolos constituem o patrimônio desse povo na constituição do inconsciente coletivo, responsável por seus acertos e desacertos, sucessos e derrocadas. O comportamento humano é simbólico e o homem vive em um universo de palavras. De palavras são feitos os mitos, as lendas, os preconceitos. De palavras o ser humano pauta suas ações, escolhas, gostos, crenças valores. De palavras é construída a história. O estudo da alma do povo gaúcho se justifica pela riqueza de nuances da psicologia humana que este povo carrega e pela escassez de material que abordem aspectos tão instigantes do comportamento coletivo. O processo que levou grupos sociais de culturas tão díspares e variadas a construir uma nova identidade histórica, alicerçada na construção de novos heróis e alegorias suscita curiosidade. E a curiosidade é basilar no processo de montagem do conhecimento da cultura desse pedaço de chão da grande nação brasileira. O próprio toponômio gaúcho, como eram designados pela elite pastoril que se formava, os índios, negros, mestiços e brancos, todos muito pobres despojados de seu chão, era sinônimo de ladrão, preguiçoso, arruaceiro, aventureiro e só foi resgatado pela Revolução Farroupilha, a luta que durante dez anos ensangüentou o pampa e uniu estancieiros e peões contra a monarquia que governava o Brasil.
O presente estudo procura analisar aspectos antropológicos e sociológicos da formação do povo gaúcho, seguindo o viés histórico da saga desta gente maravilhosamente multifacética, de riquíssima cultura e história ímpar. Embora a palavra história sugira uma abordagem sistemática e cronológica, o presente trabalho, fruto de uma curiosidade antiga sobre as origens e o passado do povo gaúcho, segue um andamento mais livre com o objetivo de refazer a trajetória desse povo. As informações, esparsas e descontínuas que possuíamos, eram resultantes da historiografia oral própria das sociedades onde a realidade e a legenda se misturam, dando-se, na maioria das vezes, por uma tendência natural, relevância ao mítico em detrimento do real. Para montar o painel fizemos ampla pesquisa bibliográfica em livros, jornais e revistas, vimos filmes e fotografias, entrevistamos pessoas, interrogamos amigos e parentes. Os assuntos foram debatidos e interpretados sob a ótica do objetivo proposto, ou seja, rastrear, desde os primórdios, a formação do povo gaúcho, passando por sua geografia, seus primeiros habitantes e os que vieram depois e que, juntamente com os já assentados, fizeram a historia. Uma seqüência de fatos, datas e personagens que, encarnando do épico ao vulgar, do heróico ao patético, do sublime ao humano contaram a história de uma terra e de um povo pródigo em nuances variadas da psicologia social, que apresenta um modo particularíssimo de falar, comer, amar, cantar, enfim, viver.
O presente estudo procura analisar aspectos antropológicos e sociológicos da formação do povo gaúcho, seguindo o viés histórico da saga desta gente maravilhosamente multifacética, de riquíssima cultura e história ímpar. Embora a palavra história sugira uma abordagem sistemática e cronológica, o presente trabalho, fruto de uma curiosidade antiga sobre as origens e o passado do povo gaúcho, segue um andamento mais livre com o objetivo de refazer a trajetória desse povo. As informações, esparsas e descontínuas que possuíamos, eram resultantes da historiografia oral própria das sociedades onde a realidade e a legenda se misturam, dando-se, na maioria das vezes, por uma tendência natural, relevância ao mítico em detrimento do real. Para montar o painel fizemos ampla pesquisa bibliográfica em livros, jornais e revistas, vimos filmes e fotografias, entrevistamos pessoas, interrogamos amigos e parentes. Os assuntos foram debatidos e interpretados sob a ótica do objetivo proposto, ou seja, rastrear, desde os primórdios, a formação do povo gaúcho, passando por sua geografia, seus primeiros habitantes e os que vieram depois e que, juntamente com os já assentados, fizeram a historia. Uma seqüência de fatos, datas e personagens que, encarnando do épico ao vulgar, do heróico ao patético, do sublime ao humano contaram a história de uma terra e de um povo pródigo em nuances variadas da psicologia social, que apresenta um modo particularíssimo de falar, comer, amar, cantar, enfim, viver.

